sábado, 3 de dezembro de 2011

Monólogo de Uma Saudade


         Não sei que sentimento me toma hoje. Ou talvez saiba. Talvez seja uma saudade doída. Daquelas bem bravas que parece dilacerar o coração do homem. Pobre coração imaturo! Ensaia um sofrimento tão desproposital quando não estás aqui. Quando nem em pensamento estás sólido, presente. Minha mente tenta, mas a saudade torna-te tão pueril. Necessito-o em suor e emudecimento. Os pensamentos me escapam das mãos. Devaneios, como água, escorrem por entre meus dedos tortos. Se tudo isso é saudade, nunca senti uma saudade tão gostosa como o fel. Um clarão na noite de um terrível paradoxo. Que queres com esta tua ausência? Extrair uma chuva torrencial na secura de minhas palavras? Pois confesso-te que consegues. Nada consigo fazer além de escrever palavras secas e úmidas. Verbetes ousados que desmentem a felicidade fingida. Os mesmos verbetes os quais manipulo numa tentativa fracassada de persuadi-lo de que estou bem. Mas tende certeza: se estas palavras cristalizam minhas lágrimas em tua presença distante, com quanto mais loucura meu coração saltará aos lábios quando tua ausência tornar-se próxima.

Trinta de Novembro de 2011

4 comentários:

Anônimo disse...

Suas palavras sofrem com você. Espero que as reuna uma saída, uma possibilidade de edificação. Abraços!!!

DURVAL MATTA PIRES DE MOURA disse...

Pelo rastro de suas palavras, imagino que você está trilhando o seu caminho, autêntico. Lhe digo: assim como em uma viagem, ao longo duma estrada, as paisagens vão se alternando, ao seu tempo. Esteja firme (em alguns instantes, ao menos), registrando as suas impressões, para que o tempo não as apague; e para que outros saibam um pouco sobre a dor e as alegrias, que fomos capazes de notar. Suas palavras possuem a força dos seus sentimentos, Sarinha. E, como disse o amigo Leo Valesi, você irá edificar a sua obra.

Sara Carvalho disse...

Obrigada, meninos, pelo carinho constante!
Dudu, desejo que suas palavras se tornem verdade para nós todos! O mundo precisa de escritores de alma, que risquem os rascunhos de suas experiências e regurgitem seus sentimentos mais humanos para aqueles que tem sede de uma boa literatura; escritores amantes dos verbetes, letras, parágrafos ou estrofes, e não os que almejam vendas lucrativas de trabalhos que não conversam com a alma do leitor.

Poeta da Colina disse...

Eu acredito nessas palavras.