Mostrando postagens com marcador tristeza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tristeza. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de julho de 2011

Breu Completo


         Amanheceu em minha alma. Porém, ainda continua escuro. Acordei exaurida. O novo não despertou em mim nenhuma esperança. Como o vento me trouxe em alguma feita: “Acredito no amor, mas não que ele seja pra mim”.
         Amanhece, anoitece, mas não faz diferença nenhuma. Continua escuro e desesperançoso. À noite, todos os gatos são pardos, mas eu sou invisível mesmo ao sol do meio-dia.
         Pensei que só os heróis fantásticos tivessem o dom da invisibilidade. Mas eu sou translúcida, vagueio por entre as pessoas que me atravessam indiferentes e não tenho super poder nenhum. Nem ao menos o de reverter a invisibilidade. Isso não é um dom, é uma condição imposta. Imposta por quem? Pelo destino? Pelo carma? Pelo capricho dos deuses?
         Eu ainda quero acreditar. Mas a minha esperança é tão ínfima, microscópica. Não acredito em milagres, mas só um para me fazer crer que o amor seja pra mim também.
         Meu corpo tem vinte e poucos anos, mas meu espírito deve ter uns mil, para estar tão exaurido e descrente. Eu não o culpo. Parece mesmo que o amor nos excluiu de suas responsabilidades.
         Um dia, logo no começo de minha vida de escritora, escrevi-lhe uma carta perguntando por que ele havia sumido. Ele até respondeu a carta, mas nunca veio. Só deu algumas passadas rápidas para dar-me uma alegria ínfima e depois deixar uma dor dilacerante no meu peito. Mas não vou escrever outra carta pra ele, é perda de tempo.
         Vou ficar aqui com minha velha conhecida: a desesperança. Às vezes ela fica feliz com uma lata de brigadeiro e me dá uma trégua de algumas horas, até de alguns dias, quando está de bom humor.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Mal Crônico


         Meu coração sofre de um mal crônico. Uma tristeza que volta e meia ressurge de minhas entranhas. Um sentimento de vazio imune a multidões. Tanto faz se passo pelo epicentro do tumulto ou se me esgueirando pelas sombras, se saio empacotada ou despida, ninguém o vê.
         Será que o meu coração é fruto de minha mente solitária assim como os romances que fantasio? Será que existe uma máquina em seu lugar que faz o mesmo barulho que o músculo? Eu o sinto doer, comprimido no peito, e, em raras ocasiões, acometido por uma alegria ínfima. Então por que as pessoas não se apercebem de sua existência?
         Às vezes queria ser mais medíocre, mais defeituosa. Minhas qualidades nunca tiveram utilidade nenhuma. Só fazem com que as pessoas tenham que enumerá-las antes de pisar em mim e me jogar para o lado.
         Queria que as pessoas ao menos vissem meu coração antes de ignorá-lo. Acho que vou fazer um corte no peito e andar na rua com o músculo sangrando à mostra. Assim todos verão que eu tenho um coração.

sábado, 28 de maio de 2011

Folhas do Calendário

Ela não tem nada.
Nem um telefonema
Nem um abraço
Nem um beijo
Nem um amasso
Muito menos um bem querer.

Ela tem uma lágrima contida
Uma descrença desmedida
Uma raiva ressequida.

As folhas do calendário passam.
O dia dos namorados se aproxima.
E ela não tem ninguém.

Então a lágrima escorre.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Pura Implicância


         Onde está o meu sorriso? Sei que guardei em algum lugar. Mas onde? Não, eu não o perdi. Mas guardei tão bem guardado que esqueci onde pus. Minha boca está no lugar certo: entre o nariz e o queixo. Mas onde está o meu sorriso? Não é um sorriso qualquer. É aquele sorriso! Aquele bonito, verdadeiro, que convida as pessoas a se aproximarem. Onde o deixei? Os sorrisos que venho esboçando são meio amarelados, sem graça, quadrados, me parecem muito falsos, mesmo quando meus olhos confirmam que estou feliz. Por que? Por que o sorriso dos olhos é bonito e o da boca não? Eu não entendo. Meus dentes são saudáveis, cada um no seu lugar devido. Então por que o sorriso é feio? Por que ele e eu implicamos tanto? Em que ponto da vida nos desentendemos? Às vezes meus olhos brilham de tanta felicidade, mas a boca parece que desaprendeu a sorrir um sorriso bonito. E isso não tem nada a ver com qualquer dor física e emocional. Sempre, sempre e sempre o sorriso me parece falso e feio. Acho que já disse isso. Acho que desaprendi mesmo a sorrir com a boca. Alguém sabe onde posso comprar uma boca que saiba sorrir?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Carrasco


Sou seu pior algoz. O mais cruel, mais atroz, o único onipresente. Trinta e seis horas por dia domino seus pensamentos. Escolho a dedo aqueles que mais te machucam, que mais a deixam ansiosa e exaurida. Sou mais forte que você, e você é tão burra que cada vez me dá mais força, alimentando a mim e aos pensamentos que lhe sugiro. Sua consciência sabe que precisa me dominar, mas você não tem forças para isso. Além do mais, sou como uma criança: quanto mais você tenta controlar, mais eu me rebelo. Você não gosta de mim. Se gostasse, não gritaria comigo nem me criticaria o tempo todo. Só fica aí me dando ordens, dizendo o que eu tenho que fazer e que tipo de atitude e reação devo ter diante de cada situação ou pessoa. Eu odeio ordens! E odeio muito mais críticas!! Você quer que eu seja perfeita, mas eu não posso ser. Ninguém é perfeito. Por que só eu tenho que ser? Você é muito intransigente, muito rígida. Tudo tem que ser do jeito que tem que ser. Que é isso? Por que você não pára um pouco pra se divertir, curtir a vida? Você era tão mais legal quando tinha a minha idade! Era mais feliz! Vai negar? Claro que não. Sabe que é verdade. Mas você cresceu e se tornou um porre! E ainda por cima fica me criticando, me pondo pra baixo pra ver se eu perco a alegria de viver e a espontaneidade. Mas é justamente por isso que me revolto e bato de frente com você: pra ver se consigo tirar essa venda do seu rosto e faço você voltar a ser a menina alegre e espontânea de antes. Você diz que quer ser uma mulher segura, forte, bem-sucedida. Mas do que adianta sê-lo se vive triste e sozinha? Sabia que a alegria e a brincadeira atrai bem mais que a perfeição? Você estipulou regras pra ser feliz: "Eu só vou ser feliz quando for assim e assado porque vou ter isso e aquilo!". Resultado: você não tem nada. Você nem consegue o que quer e nem é feliz. Essa é a vida que você sonhou? Lógico que não! E nem é a vida que lhe desejo. Eu quero que você seja feliz e que seja espontânea, que curta cada momento, mas pra isso você tem que abrir mão dessa rigidez e de todas essas regras de comportamento. Esqueça essa história de ser certinha, ou melhor, esqueça essa obrigação de ser perfeita todos os segundos de sua vida. Veja a vida como uma brincadeira, e não como um trabalho. Veja a vida com meus olhos, isso resume tudo.

Com carinho
Sua criança interior

terça-feira, 10 de maio de 2011

Deveria...

Eu deveria ser...
Vaidosa / sedutora / sensual
Extrovertida
Segura
Forte
Difícil (só um pouco).

Eu deveria saber...
Paquerar
Dizer não
Andar de salto alto
Tomar a iniciativa (sem ser vulgar).

Eu deveria ter...
Mais humor
Mais coragem
Mais desinibição
Mais otimismo.

Eu deveria...
Sonhar menos
Agir mais
Ser menos rígida
Brincar mais
Fazer mais amizades
Ir à festas
Jogar charme.

[Raiva. Virando a mesa.]

Eu não deveria NADA!
Eu deveria apenas ser eu mesma
Sem me preocupar em agradar ninguém.