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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Desabrochar da Flor

A
Flor
Desabrocha
Enquanto o sol
Esquenta suas pétalas.
O orvalho escorre por seu corpo de veludo.
As pétalas cedem e o miolo aparece
Para o doce deleite do colibri.
A flor beija, beijoqueira,
O colibri, matreiro.
O desejo de que, nesse
Beija
Beija,
Acon-
Teça,
Enter-
Neça,
O
Ins-
Tante
De
Amor.

domingo, 14 de agosto de 2011

Colibri ou Flor


O colibri ou a flor?
Quem sou?
Agir ou esperar?
Beijar ou deixar-se beijar?

Agora sou um
Doravante posso ser outro.
O beijo pode ser desejado por ora
Depois posso querer roubá-lo.

O colibri ou a flor?
Depende do olhar
Depende do orvalho
Ou quiçá da sede.

Hoje tenho sobrando
Amanhã posso carecer.
Hoje estou forte
Amanhã posso me render.

Colibri ou flor?
Sou os dois.
A junção de ambos.
A diversidade no agir.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gente, bom dia. Esta historieta me veio hoje assim que acordei, mas não consegui pensar em um título decente para ela (sou péssima com títulos! rs). Se alguém tiver alguma sugestão, pode deixar nos comentários, ou em outro meio que possua de me contactar =D... Kissus! E espero que entendam a verdadeira história por trás da história (eita!) rsss


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A história que vou lhes contar é deveras antiga,
Mas ainda se perpetua até hoje em dia.
Essa história tem monstros gigantes
Que brincam, lutam, se enroscam, se roçam.
Também tem mares agitados e revoltos
Com ondas fortes que se chocam com as pedras.
Ventos quentes e intensos saem de dentro
Das cavernas dispostas umas de frente para as outras.
A escuridão é completa, salvo por algumas faíscas
Que vemos mesmo com os olhos fechados.
E, mesmo escuro, não é frio. Muito pelo contrário.
É quente, muito quente, e o calor só aumenta.
Ainda tem, às vezes, alguns cipós que nos envolvem
E nos prendem ao outro, deixando  nossos corpos colados.
Esta história trata-se - nada mais, nada menos que -
Da descrição de um (vigoroso) beijo apaixonado.




terça-feira, 19 de abril de 2011

Bocas Secas


Duas bocas conversavam despreocupadamente quando uma perguntou:
- Como eu sei se quem tá me beijando é homem ou mulher?
- Ah, isso é muito fácil! A mulher beija com carinho, massageando seus lábios.
- E o homem?
- Ah, o homem beija com mais vigor, como se quisesse te devorar!
- Minha nossa! E qual o melhor?
- Isso vai do gosto de cada boca.
- E você prefere qual?
- Ah, minha filha, eu prefiro TODOS! O que importa é que eu seja beijada!
- É, na seca que a gente tá, qualquer um serve!
- Pera lá! Com você pode até ser, mas comigo não! Comigo tem que beijar bem!
- Senão você faz o quê?
- Devolvo o beijo.
- Ah, tá!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

"Beijos Grátis"

[Ela pegou a cartolina com um sentimento em letras desenhadas e foi para uma praça movimentada. No papel, os seguintes dizeres: "Beijos Grátis". Atrapalhada como só ela conseguia ser, ergueu a cartolina acima de sua cabeça e esperou.]

Antes que a fila comece a se formar, visto que esse povo adora um "0800", devo alertá-los de uma coisa. Vim até aqui com este cartaz com o intuito de ganhar experiência. Não, eu não sou "bv", mas ainda sou inexperiente. Se fôssemos fazer uma comparação literária, diria que eu sou uma escritora que ainda copia o estilo do seu ídolo por não ter o seu próprio. E nós sabemos que para ter um estilo todo peculiar e único é preciso ler muitas obras, de diferentes autores, com linguagens igualmente diversas. Mas, logicamente, não podemos beijar pessoas diferentes na mesma proporção em que lemos, senão vira um bacanal.

[Pausa. Ela olhou ao redor. Muitas pessoas já haviam dispersado. A inexperiência afugentou muitos.]

Aos que permanecem, quero dizer que não garanto 100% de qualidade, mas tentarei alcançar o índice máximo quanto ao aproveitamento. Como disse anteriormente, sou inexperiente, mas tenho o compromisso íntimo de fazer bem feito tudo que me proponho a fazer, ou pelo menos tento alcançar a excelência.

[Mais pessoas foram embora. Elas tiveram suas esperanças de receber um beijo bom aniquiladas, e não quiseram arriscar um beijo ruim, ainda mais em alguém que nem sequer conheciam! Ficou apenas uma.]

Eu, já um tanto quanto desanimada, pergunto: "Por que você ficou se todos os outros foram embora?". Ao que o rapaz responde: "Porque você é muito corajosa. Eu não teria essa ousadia de expor um cartaz como esse em uma via pública, muito menos a minha alma. E minha mãe sempre me ensinou que devemos experimentar algo antes de dizer que é ruim". Ambos rimos, rimos muito.

[Ela ficou meio sem jeito de beijá-lo depois dessa. Ele não cobrou nada, não com palavras, apenas a abraçou. Um abraço apertado e até certo ponto aconchegante, levando-se em consideração que não tinham nenhuma intimidade.]

De súbito, ele me diz: "Não vou te beijar agora." Olho-o frustrada e ele prossegue: "Não vou beijá-la porque seria um beijo isento de sentimento e você não merece isso. Quero conhecê-la primeiro antes de colar meus lábios nos seus. Entende?" Meneio a cabeça em afirmativa e ele me convida para um café. "Você não vai mais precisar disso" - diz ele, rasgando a cartolina onde escrevi "Beijos Grátis".

[Ambos foram embora dali juntos começar algo sem datas pré-determinadas, nem de meio nem de fim.]

segunda-feira, 28 de março de 2011

Apenas Beije-Me




Se um dia tu me beijares por ímpeto
Humildemente eu te peço
Não me venhas  dizer que foi um erro.
O beijo é uma exteriorização de amor.

Porquanto, nunca é um erro beijar-se
A quem se ama.
Erro seria não beijar
Des-beijar, pedir o beijo de volta.

No momento que tu beijas por impulso
É porque o desejo já te consumia há muito.
Detiveste a vontade o mais que pudeste.
Todavia, chega uma hora que ela se rebela.

Beije-me com espontaneidade e amor.
Não se culpe se o beijo sair desengonçado.
Não lamente se não for sob as estrelas.
Apenas beije-me.

domingo, 20 de março de 2011

Quatro Mãos e Uma Boca

         Suas inspirações constantes estavam afastando-a do parceiro. Já fazia alguns dias que não dispunha de tempo, um tempo razoável pelo menos, para namorar. Então uma lâmpada acendeu em sua mente. Pegou caderno e caneta e seguiu para o quarto. Lá, encontrou seu cônjuge acompanhado da fidelíssima tevê.
         - Amor, você pode me ajudar com meu novo texto?
         - Mas eu não sou escritor, florzinha.
         - Mesmo assim você pode me ajudar.
         - Como?
         - Sente-se. – Ele obedeceu e desligou a tevê. Ela aconchegou-se em seu tórax e pediu a ele que a envolvesse pela cintura. Depois colocou o travesseiro sobre o colo e pegou o caderno e a caneta.
         - E agora, o que eu faço? – quis saber ele.
         - Fique abraçado comigo. Ah! E pode dar uns beijinhos se quiser. – Mal ela terminou de dizer isso e ele a beijou no pescoço, arrancando um risinho.
         - Vai escrever sobre o quê?
         - Sobre carinho. Vamos ver o que sai. – Ela tomou a caneta na destra e começou a soltar as palavras guardadas em seu coração.
         Ele ficou observando por cima do ombro dela e, de quando em vez, beijava-lhe o pescoço e a nuca e acariciava sua barriga. Algumas palavras saíam tortas ou erradas, mas ela estava adorando aquele momento.
         Ao final de uma hora, ela leu o texto em voz alta e ele fez um comentário bastante positivo: ”Está fantástico!”.
         - Obrigada por me inspirar mais ainda. – E, colocando o travesseiro sobre o colchão com caderno, caneta e tudo, beijou seu cônjuge com amor. – Gostou de me ajudar?
         - Sim. Com certeza. Agora o que acha da escritora descansar um pouquinho?
         - O que quer fazer?
         - Quero curtir minha namorada um pouquinho. Que tal colocarmos um par de chifres no lápis?
         - Hummm... Proposta interessante. Eu aceito.
         Ambos sorriram.


Créditos da imagem: Desenho feito por mim com caneta esferográfica.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A Loba Má


         Ela entrou na sala, sorrateira, e observou-o por um instante. Ele estava sentado numa poltrona saboreando um velho Neruda.
         - Posso? – perguntou matreira, enquanto encostava-se em um móvel de madeira.
         O rapaz levantou os olhos do livro um momento.
         - Conheço esse olhar. O que quer fazer comigo?
         - O que quero fazer com você? Nada - disse, fazendo beicinho. – Só quero sentar no seu colo e te dar muitos beijinhos.
         Ele olhou para o livro, olhou para a namorada e voltou-se para o primeiro:
         - Neruda, com licença, agora é a vez da minha garota. – Olhou para ela e disse: - É todo seu.
         A moça aproximou-se esbanjando charme e acomodou-se em seu colo. Segurando abaixo do queixo dele, ela o beijou discretamente muitas vezes seguidas, mas nem por isso menos ardente.
         - O que está fazendo? – ele a interrompeu em dado momento.
         - Estou brincando com você.
         - E que brincadeira é essa?
         - É aquela “vai, mas não vai”. – Ela mantinha a boca aberta perto da sua, às vezes até encostava seu lábio inferior no dele e constantemente respirava via oral, mas não o beijava. E ele ficava só na expectativa.
         - E o que você acha que vai acontecer comigo?
         - Hum... Acho que vai ficar animado.
         - E o que vai fazer quando eu estiver?
         - Vou te chamar pra irmos pra um lugar mais confortável do que esta cadeira.
         - E para quê?
         - Pra te abraçar melhor, te tocar melhor, te beijar melhor.
         - Você é uma loba muito má, sabia?
         - E você é meu chapeuzinho vermelho. Agora vamos brincar?
         - Claro, minha lobinha. Estou adorando essa brincadeira. – Enlaçando-a pela cintura, ele a beijou com vigor e paixão.
         - Então vamos começar!
         E ambos brincaram a noite toda sem a interferência da vovó ou do caçador.