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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poema em Letras Avulsas

Foto: Sophie Rata

Umidades transbordantes. Sedes que se afogam.
Felicidades chegam em ponto. Pontualíssimas.
Humores clamam. Amores a se encaixar.

Distrações geladas. Talvez sejam de chocolate.
Conversas dispersas. A imensidão se perde no pensar.
Receitas impressas. Nós, despidos, a cozinhar.

Cometas no canto dos olhos. Sorrir íris n'algum pedido.
Quereres todos. Prazeres múltiplos e inexprimíveis.
Saberes sentidos. Leituras oníricas. Ou talvez telepáticas.

Letras, avulsas e arteiras, a digitar. Ósculos e amplexos.
Vírgulas, pontos e reticências a poemar.

Onze de Fevereiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sobre os Nossos Olhos


Esses teus olhos sedentos,
Não raro, se afogam na doçura dos meus
E me afogam, doces, na sede dos teus.

Se tu gostas dos meus olhos de cometa,
Dir-te-ei: Adoro os teus de planeta!
Faz um pedido a esta estrela cadente
E mergulharei nos teus anéis de Saturno.

Olhos teus, olhos meus.
Olhos meus tão teus.
Olhos teus que se fazem meus.

Seja sede ou doçura,
Seja uma sede de doçura,
A sede é mútua.
E a doçura também.

Nove de Janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ao Meu Poeta do Mundo

Meu poeta lindo!
Poeta que se espalha pelo mundo
Em forma de poesia, que beija os olhos dos leitores
Com suas rimas. Poeta meu que oferto ao mundo sem receios
Pois às vezes também me faço poesia.

Seis de Janeiro de 2012

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Poética Bruteza

O diamante bruto.
Você não imaginava que ele
Fosse tão bruto assim. Nem que tivesse
Tantas arestas afiadas. Mas ele tem também
Muitas frestas por onde sai seu brilho singular,
Seu amor. Este brilho compensaria os cortes?
Não cabe ao diamante dizer. Só quem sangra
Pode saber. Este brilho proporciona-lhe cura?
Em caso afirmativo, então o sangue coagulará
E refletirá em brilho nos olhos. O diamante
Bruto corta tentando polir-se. E
Porque te ama. É exatamente
Por isso que ele quer
Se tornar
Polido.

Nove de Novembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Desabrochar da Flor

A
Flor
Desabrocha
Enquanto o sol
Esquenta suas pétalas.
O orvalho escorre por seu corpo de veludo.
As pétalas cedem e o miolo aparece
Para o doce deleite do colibri.
A flor beija, beijoqueira,
O colibri, matreiro.
O desejo de que, nesse
Beija
Beija,
Acon-
Teça,
Enter-
Neça,
O
Ins-
Tante
De
Amor.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sentidos Despidos


Uma empatia grande tomou-nos.
Sentimo-nos à vontade,
Confortáveis um com o outro.
Suas mãos, desenvoltas,
Desenharam minhas reentrâncias.
Seus beijos, múltiplos e envolventes,
Sua respiração quente
Rente ao meu ouvido,
Aguçaram meus sentidos,
Arrepiando-me.
Um abraço aconchegante,
Um dengo gostoso,
Um prazer despido
Sem precisar despir.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Onírico


O desejo de ser tocado
Com a suavidade do sonho
A leveza da brisa
O fulgor da realidade.

Mãos, olhares, sorrisos, suspiros
Tudo toca.
O mundo se toca.
E o mundo somos eu e você.

Não no mundo.
Mas aqui dentro de nós.
Neste espaço só existe espaço para nós
E tudo mais que trazemos conosco.

Desejo, paixão, euforia, júbilo
Tudo vem impregnado na pele e na alma.
Eles falam por e muito melhor que nós,
Com mais nitidez e veracidade.



créditos da imagem: Ramon  de Assis

domingo, 14 de agosto de 2011

Colibri ou Flor


O colibri ou a flor?
Quem sou?
Agir ou esperar?
Beijar ou deixar-se beijar?

Agora sou um
Doravante posso ser outro.
O beijo pode ser desejado por ora
Depois posso querer roubá-lo.

O colibri ou a flor?
Depende do olhar
Depende do orvalho
Ou quiçá da sede.

Hoje tenho sobrando
Amanhã posso carecer.
Hoje estou forte
Amanhã posso me render.

Colibri ou flor?
Sou os dois.
A junção de ambos.
A diversidade no agir.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Traquinagem


Eu quero brincar com você.
Cada beijo é uma arte, cada toque uma travessura.
Loucura? Não, paixão.
Deixe-me ficar com a boca aberta colada na sua.
Talvez eu o beije, talvez não,
Quero apenas que sinta minha respiração quente
E sentir, igualmente, sua pele esquentar.
Se sou traquina? Sim, eu sou.
Gosto de provocar. É um brincar gostoso.
O que acontece se eu beijar a ponta da sua orelha?
E se eu apertar a sua nuca?
Violência? Nada. É desejo.
Dê-me sua mão. Posso beijá-la?
É tão bom! É doce, e levemente picante.
Bobo? Talvez. Mas eu curto essas bobagens.
Sexo é brincadeira, traquinagem.
O desejo vem numa simples aproximação.
Carinhos ousados? Nadinha.
Excitável é o simples disfarçado de ingenuidade.
E só é gostoso assim: sem obrigação de ir até o ponto final.
Quero brincar com as vírgulas, mergulhar nas reticências.
O sexo está em cada gesto.
A brincadeira é intensa desde um simples toque na ponta do seu mindinho.
Que me diz? Vamos brincar? 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Paradoxal

O amor é minha arma,
Meu escudo.
O amor é minha vida,
Minha agonia.

O amor é a falta,
O exagero.
O amor é interno,
Externo.

O amor é o paradoxo,
A unicidade.
O amor é a amplidão.

O amor é desregrado,
Correto.
O amor é a junção.

sábado, 23 de julho de 2011

Sentimento Primaveril


         Como nasce uma carta de amor? Deixemos as anáguas e os palácios de fora; esqueçamos os vales e os rios. A verdadeira beleza está na parte de dentro. Os dias primaveris acontecem em meu âmago.
         Você já sentiu isso? É como se a natureza entrasse em mim e eu ficasse maravilhada com a luz que irradia dentro deste cubículo chamado corpo humano. A sua voz soa como o sussurro do vento, o carinho de suas palavras são como flores de cerejeira sobre a grama, a força das árvores representa a segurança que imagino (sentirei um dia) encontrar no seu abraço, as águas tranquilas são os seus olhos sorrindo pra mim.
         Quando estamos apaixonados, ganhamos olhos poéticos: tudo é belo, tudo é encantador, tudo é vivo e brilhante.
         Fugimos da realidade? O que é real? Quem define o que é real? Um sentimento pode ser considerado real? Se não, por que sinto efeitos físicos quando sou tomada por ele? Qual a outra causa para o brilho nos meus olhos, para a alegria vívida em meu sorriso, e para minha pele enrubescer com tanta facilidade quando penso num certo alguém?
         Eu gosto dessa sensação, desta felicidade que não precisa de motivos para transbordar.
         Gostaria de conhecer o que se passa em seu coração. O que te acomete quando pensa em mim? Você acaso também leva a natureza dentro de si?
         A esperança veio me visitar. Ela me disse que, se a sua outra metade estiver com você, as duas se transformarão numa fita que nos enlaçará. Será este o presente da vida: o amor.

sábado, 16 de julho de 2011

Toque Desengonçado

Quero respirar teu cheiro
Alimentar-me de teu beijo
Proteger-me em teu abraço.
Preciso sentir-me segura em seu mundo
Para poder explorá-lo
E deixar de lado minha falta de jeito.
Antes, minhas mãos parecem
Que a tocar não aprenderam
E a boca é como se nunca antes
Houvesse beijado.
Não sei ao certo como pisar no tapete
Quanto mais abrir a porta.
Mas se você tiver um pouco de paciência
E relevar meus toques desengonçados,
Talvez eu consiga materializar
Todos os pensamentos que tive até hoje
E os desejos que reprimi
Por medo de parecer boba e desajeitada.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Doce Ignorância


Eu não sei nada sobre o amor.
As palavras falam sozinhas
Teses que me são desconhecidas.
Simplesmente lanço no papel seu clamor.

De que adianta seu beijo
Se não tenho seu abraço?
Se não fui laçada por seu cheiro
Nem senti sua alma no meu laço?

Talvez seja afeto, carinho.
Talvez seja romantismo, ingenuidade.
Gosto disso, dessa doçura.

E se isso me faz inferior,
Menos atraente,
Que se há de fazer? Não sei a cura.

domingo, 3 de julho de 2011

Devaneios em Par nª1

Poema feito em conjunto como meu querido Andy (@AndeMeireles). Espero que gostem.

Ensaio um vôo breve que daqui me leve.
Para onde? Qualquer lugar longe do desamor.
Um palácio, um jardim, uma rua, um coração.
Uma doce ilusão que me preencha de esperança novamente.

Meu corpo é imenso e o mundo apertado demais.
Um cubículo onde espremo minha essência.
E essa nuvem que me acompanha
E a mim se assoma, me toma, me doma.

Eu não sei porque isto me consome.
A cada instante sinto apertar o peito.
O ar é vomitado como se fosse rejeitado.

Um desvario lúcido.
Um porto inseguro
Uma pequena fenda por onde o amor possa entrar.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Rapidinha

Seu olhar no meu. O meu no seu.
Bocas acopladas em inspiração.
Sua mão pulsando em minha pele.
Seu toque ardente saindo por minha expiração.
Nossas línguas sedentas.
A invasão de meu âmago.
Seu movimento, nosso prazer.
Mordida no próprio lábio por um grito contido.
Sua exaustão recompensada por nossos sorrisos.
Seu orgulho refletido em minha paixão.
Dois corações felizes em corpos satisfeitos.
Um abraço gostoso aninhando um sono reparador.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Asas de Cera

Meu coração adora se apaixonar por amores platônicos.
"Pra quê?" - pergunto-lhe.
"Para se sentir vivo. Ao menos isso" - ele responde.
Triste sina de uma velha cantiga.
Um coração invisível, um sofrimento latente.
Uma injustiça: meu coração vê o seu.
Mas onde está a veracidade da recíproca?
Vagueio pelas nuvens.
Transformo “ses” em atos concretos.
Somente em minha mente. Esta mentirosa.
Meu coração sonhador. Este gigante que não percebe que as asas são de cera.
“O que fazemos?” – suplico dele.
“Sonhamos. É o que podemos fazer enquanto a realidade não nos insere em seu contexto” – declara num transbordar de esperança.
Então vamos sonhar sonhos muito coloridos.
E rezar para que a realidade venha ao menos em preto e branco.
Talvez em cores primárias. Na melhor das hipóteses.
Quero já. Quero agora. Mas nenhuma novidade surge no horizonte.
E vou vivendo com esta amargura ressonante.
Rezando para que alguma história se inicie.
Afinal,o final feliz só acontecerá mediante um começo.
E aguardo.
E sonho.
E mudo.
E me aproximo do sol.
E caio.
E reconstruo minhas asas de cera.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Girassol




















Girassol.
Gira o sol.
O sol gira.
Só gira.

O mundo gira
E eu fico tonto sem você.
Eu não te conheço.
Talvez conheça.
Mas ainda não sei se é você.

Talvez eu seja o girassol
E esteja girando
Em busca de você.

Quem sabe você seja
O girassol na minha frente.
Volta sua face pra mim?
Finge que eu sou o sol
E vem ser você
O meu sol.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Todos os Amores














Qual o seu amor?
Hostil, viril, febril?
Ardente, transeunte, intermitente?
Literário, autoritário, precário?

Sei.

Como quer o seu amor?
Alpinista, pianista, caligrafista?
Gostoso, receoso, carinhoso?
Emudecido, possessivo, atrevido?

Também.

E se ele for...
Bacana, sacana, banana?
Ousado, suado, tarado?
Amigo, batido, passivo?

Entendo.

Sabe qual o amor que quero,
Desejo,
Almejo?
O seu.