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domingo, 14 de julho de 2019

Asas de chumbo

Desenho by: Sofia Cesar
Minhas asas pesam. Minhas asas me pesam. Pesam, sobretudo, porque não sei voar com elas. Asas inúteis! De que me servem? Eu quero destroçá-las! Quero esquecer que tenho asas e não posso voar. Eu as pinto, para que fiquem lindas. Lindas e inúteis. Beleza nunca aqueceu asa para o voo.

Minhas asas... pesam. São um fardo que carrego, sem poder usá-las para o que foram feitas. Se a natureza delas é serem asas, o que as impede de voar? A elas, nada. A mim, o medo de ser voo.

Minhas asas me aborrecem. Aborrecem, porque preciso cuidar para que permaneçam lindas, mesmo sem usufruir delas. De que me adianta ter asas e não ser livre? De que me serve ter asas e viver dentro de um círculo de giz riscado no chão?

Minhas asas me aborrecem. Aborrecem mais ainda, porque renascem sempre que as desfacelo. Aborreço-me sobremaneira, porque não consigo exterminá-las em definitivo. Aborrece-me ao infinito não crer que posso voar com elas.

Minhas asas são insustentáveis. São asas de chumbo as minhas. Nelas, concentro todo o meu medo de ser luz. 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Nó cego

            Eu quero amar. Quero muito, mas ainda tenho medo. Medo de abrir o peito; medo de permitir que o Amor faça morada em meu coração novamente. Eu quero amar. Profunda e verdadeiramente. Porém, tenho medo dos pensamentos que me assaltam desde já: quem eu sou, quem fui, sou hoje diferente do que era no meu último mergulho, da última vez que o Amor foi meu inquilino? Serei, hoje, outra mulher e outro rio? Nem Heráclito de Éfeso saberia responder.
            Eu quero amar. Contudo, tenho medo de ser ainda a mesma. Ou, antes, ser diferente e não saber lidar com essa diferença. Estou mais sensível, isto é fato. E esta sensibilização toda me assusta, pois prenuncia uma entrega ao amor ainda mais total e completa, porém não necessariamente recíproca.
            Eu quero amar. Entretanto, não sei o que seria de mim se desse meu corpo e minha alma a mais alguém e não os pudesse recuperar em tempo oportuno.
            Eu quero amar. De verdade. Juro que não minto quanto a isto! Todavia, não tenho forças, ainda, para entregar meu coração a alguém. Eu quero amar, mas não sei como desatar os nós que eu mesma dei para proteger o meu coração e a mim. Eu quero amar! Alguém me ensine a desatar este nó cego!

sábado, 29 de outubro de 2011

Palavras (Não) Vãs


         Confiança. O fio rompeu-se. Onde exatamente não sei. Na infância, creio eu. É lá que vislumbro o início do comportamento egoísta e amedrontado. Passei a esconder minhas coisas de ti. Até as mais irrelevantes. O diálogo tornou-se praticamente nulo. E isso me dói muito. Sempre doeu.
         As palavras não são vãs. Eu queria mudar isso. Reverter esta situação de uma vez por todas. Sei lá como. Só sei que não aguento mais este tormento.
         Você é a pessoa que eu mais deveria confiar neste mundo. O dever, entretanto, nem sempre consegue ser cumprido. Como neste caso. Eu tenho muito medo de ser criticada, cobrada. Pior: eu tenho medo que me prenda de novo naquela redoma imaginária mais asfixiante do que qualquer calabouço.
         Por quê? Por que eu tenho esse medo dilacerante? As lágrimas vêm doídas e salgadas nesse instante. E sempre que penso nisso. Mas não consigo transpor esta barreira. Um medo de origem desconhecida me impede de tê-la como companheira e cúmplice.
         Eu não quero deixar esta vida sem tê-la como minha confidente. E eu ainda tenho esperança de que um dia sejamos as amigas que sempre sonhei que fôssemos. Mesmo este bloqueio sendo maior e mais forte do que eu ainda hoje quando escrevo estas linhas.
         Tenho muitas coisas para te contar, coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer; todos os textos que escrevi e aqueles que o Universo ainda me reserva quero te mostrar.

Vinte e Nove de Outubro de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Grito Contido


Sinto minha língua coçar
Uma falta de ar
Uma vontade de gritar

Aos quatro ventos
Isto que parece um sentimento
E que enquanto não for de seu conhecimento
Será para mim um tormento.

Eu quero contar
Quero te amar
Me entregar.

Mas se a recíproca não for verdadeira
Serei mais uma vez contrafeita
Obrigada a encontrar uma maneira
De te esquecer.

Eu não quero passar de novo por este tufão
Que sempre bota a baixo meu coração
E me joga na sarjeta de mãos dadas com a solidão.

E o que eu faço até o desfecho?
Tento reencontrar meu eixo
Usando seu amor como pretexto
Ansiando por um beijo.