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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poema em Letras Avulsas

Foto: Sophie Rata

Umidades transbordantes. Sedes que se afogam.
Felicidades chegam em ponto. Pontualíssimas.
Humores clamam. Amores a se encaixar.

Distrações geladas. Talvez sejam de chocolate.
Conversas dispersas. A imensidão se perde no pensar.
Receitas impressas. Nós, despidos, a cozinhar.

Cometas no canto dos olhos. Sorrir íris n'algum pedido.
Quereres todos. Prazeres múltiplos e inexprimíveis.
Saberes sentidos. Leituras oníricas. Ou talvez telepáticas.

Letras, avulsas e arteiras, a digitar. Ósculos e amplexos.
Vírgulas, pontos e reticências a poemar.

Onze de Fevereiro de 2012

domingo, 9 de outubro de 2011

Úmido

Um textinho que escrevi em parceria com meu estimado Sandoval Fagundes, o primeiro de muitos (eu espero)! E que dedico especialmente ao meu amigo e irmão mais velho, Anderson Meireles. Que gotinhas úmidas deste texto possam respingar não no teu coração, mas na tua alma. Espero que vocês gostem. Kissus!




         As ideias estão aqui dentro. Posso senti-las borbulhar. É lindo. Não sei como exprimir. Sinto seu colorido e sua energia, mas ainda não consigo vislumbrá-las, pois estão na parte mais funda do lago.
         As ideias estão na superfície do colorido da tua energia. Elas borbulham para dentro de tua imaginação como um lago reflete e traz o céu para dentro de si!
         É uma sensação muito boa. Sinto-me viva. O terreno, antes árido, está úmido. Úmido como não tenho lembrança de já tê-lo visto estar um dia. E se o lago reflete a umidade, se o colorido já tem sua energia e a vida é mais que um efeito, toda lembrança será um mar dentro do sertão.
         Posso sentir a alma vicejar. Ela baila ao som tranquilo do lago. E canta com o vigor de uma queda d'água. Ela tem muito a dizer. Mas não precisa usar palavras para isso. A vida que brota e transborda de seus poros diz todas as coisas mal exprimidas pela fala.
         É incrível como uma coisa tão imensa possa ser tão sutil. É vaporoso, é úmido, escorre por entre os dedos e impregna na pele da alma. É brilhante e lança faíscas através do olhar. E são essas pequenas centelhas que grudam no papel e se convertem em palavras para que o cérebro possa tentar compreendê-las.


Nove de Outubro de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

Rascunho


         Sobre o quê eu posso escrever? Amores não correspondidos? Não. Solidão? Não. Carência? Dá no mesmo. Xi, meus assuntos estão se esgotando.
         Não quero escrever sobre uma coisa que ainda não tenho nem reviver algo que deve ficar no passado. Você sabe o que isso significa? Mas não importa o assunto, o texto saíra sofrível. Afinal, tanto a carência como o saudosismo (lê-se cutucar velhas feridas) machucam o mesmo tanto.
         Eu não estou sem inspiração. Só não queria escrever novamente sobre estes assuntos que me desgastam tanto. Você entende? Também estou sem paciência para escrever textos neutros que nada têm a ver com o que estou sentindo só para provar que a escritora está ativa dentro de mim.
         Verdade seja dita: foram poucos os textos neutros que escrevi nesta vida. Talvez só as redações para o colégio e olhe, olhe.
         Acho que vou publicar este rascunho só para vocês verem como é difícil a vida de um escritor. Ainda mais a de uma escritora que desde seu primeiro contato com a literatura decidiu escrever sobre si mesma, tendo seus pensamentos e sentimentos convertidos em verso e prosa.
         Nem todas as pessoas agüentam ler textos sobre o mesmo tema por um longo tempo seguido, ainda mais quando se trata de coisas tristes pelas quais todos já passaram ou ainda vão passar. Por isso estou evitando (ao máximo) escrever sobre os temas que citei no início deste rascunho: para poupá-los.
         É isso. Até mais.