Mostrando postagens com marcador romantismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador romantismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amor Realista

Um romântico dificilmente deixa de ser romântico com o escoar do tempo. Todavia, a experiência (não confunda com idade) atenua seus delírios utópicos. Afinal, o romântico nada é além de um sonhador que almeja um relacionamento o mais perfeito possível. E a experiência mostra como as coisas acontecem nesta dura realidade. 
Você dificilmente vai ouvir um "eu te amo" num passeio de barco numa manhã ensolarada, mas provavelmente quando seu corpo estiver cansado à noite e seus olhos insistindo em se fecharem. É claro que nós, românticos, relutamos contra esta ideia. Queremos algo especial (lê-se mágico).
Não obstante todo o seu romantismo, você se apaixona por um realista. Aquele que quer dizer que te ama quando você está querendo dormir, que mela seu nariz de sorvete quando você teve todo aquele trabalho para se maquiar, que te coloca de cabeça pra baixo nos ombros dele, que te joga no lago mesmo você declarando aos quatro ventos que fez chapinha e implorando pra ele não fazer isso, que morde seu nariz, de levinho, mas morde, que não atende todas as suas ligações e passa dias sem dar notícias, que ri quando seu salto quebra ou você tropeça. Ele não é o homem que você almejou: cavalheiresco e amável todo o tempo. Mas você gosta de estar ao lado dele e sente profundamente sua ausência.
Você tenta ser realista para entender o mundo dele. Só que seu romantismo é muito forte e você sucumbe. Talvez a máxima "os opostos se atraem" esteja certa. Você só tem certeza que ele tem o que lhe falta e vice-versa. Talvez enfim você tenha encontrado a sua outra metade. Quem sabe. Eu, como uma boa romântica, desejo que sim. Boa sorte.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Espasmo


Tu és piegas?
Usas aquelas saias armadas que já vi.
Cultivas o romantismo?
Oh, não ligues para o meu cinismo.

Viste aquilo?
O coração jogou-se no precipício.
Queres isto?
Tu que sabes.
Prefiro abster-me de tal suicídio.

Claro que o é!
Pensas que o coração sai ileso
De tal loucura?
A cada salto abre-se uma fissura
E mata-se uma esperança.

Os sonhos são poéticos.
Mas nem sempre caem
Sobre uma nuvem.
Os poetas são caquéticos.

Vês por que me abstenho de amar?
Eu não quero me jogar,
Precipitar,
Para depois (des)amar.

Essa história de morrer de amor
É absurda!
Indubitável loucura!
Pois se morres,
Não tens como amar.

domingo, 10 de abril de 2011

Antes da Escritora...

       Aos doze anos, em mil novecentos e guaraná de rolha, antes de eu me enveredar pelos caminhos da literatura e me tornar escritora, eu era uma criança pura e inocente e com o coração livre totalmente. Com as histórias, que passei a escrever e as que li/vi/ouvi, fui me tornando cada dia mais refém de um movimento que fez a maior algazarra em minha alma; deixou toneladas de panfletos e cartazes espalhados por toda minha matéria etérea, e a lembrança das buzinas ressoando dentro do cubículo em que minha alma se debate: o Romantismo. 
       Deixei-o entrar por gentileza e ele, como uma visita folgada, começou a mexer nas prateleiras de minha mente e a mudar tudo de lugar. Teve a ousadia, inclusive, de (re)moldar meus devaneios e objetivos. Deixou tudo com semblante poético e sublime. 
       No começo tudo eram flores. Eu estava fascinadamente apaixonada por esta visão mais bonita das coisas. Mas a partir de certo momento, percebendo que na vida real do cotidiano não acontecia o que encontrava nos livros (até mesmo aqueles de autoria própria), deprimi-me. 
       O romantismo continua tão forte e intenso quanto antes, e a depressão cada dia toma proporções mais avassaladoras.
       Estou revoltada com tudo isso. Gostaria de arrancar o Romantismo do meu eu mais profundo, mesmo que isso me custasse algumas vísceras, e ser mais autossuficiente desta baboseira toda de amor. Se para isso eu tivesse que me tornar adepta ao Realismo, que fosse. Só não queria ter meu coração dilacerado novamente pela paixão e ter que, mais uma vez, esquecer o objeto de minha afeição.
       [Suspiro] Outro desabafo que termina com incógnitas.


Desculpem-me a revolta poética, mas precisava regurgitar isto tudo.