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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Eu te ofereço o meu coração

Foto by: iStock

Com todos os seus medos e anseios
Com todas as suas histórias e entremeios
Com todas as suas tempestades e floreios
Com toda sua secura e arrodeios
Com toda a sua brandura e receios
Com toda a sua instabilidade e esteio
Com toda a ordem e o caos de permeio
Com todas as inspirações que antevejo
Com todo o fogo que sobejo
Com toda a facilidade em abrir-me que almejo
Eu te ofereço o meu coração.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Manda teu coração à merda


            Pega teu coração e levanta-te. Ninguém quer saber como tu andas, apenas que andes. Levanta-te! Que importa se precisas costurar ou ninar teu coração? Ninguém está interessado em tuas necessidades. Tua fragilidade? Pouco importa.  Pega teu coração e levanta-te. Caminha. Não importa se te desmanchas em lágrimas e sangue. Caminha. Mesmo que pedaços do teu coração jazam pelo caminho. O mundo não para, para que possas remendar-te. Caminha. Nem mesmo teu objeto de afeição se importa se estás agonizante. Caminha. Mesmo que teu coração vaze e se esforce para continuar vivo. Caminha. Obriga-te a sorrir. O mundo não é obrigado a suportar tua dor. Caminha. Teu coração não demora a extinguir-se de todo. Caminha. Mesmo que teus sonhos idiotas persistam. Caminha. Mesmo que teus pés já tenham atrofiado. Caminha. E, quando não mais puderes caminhar, arrasta-te, como um verme. Sê menos que um verme, pois até o verme é mais feliz que tu. Vamos! Manda teu coração à merda! Um dia aprenderás a amar.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Acordo Pré-Namoro


         O cérebro e o coração decidiram de comum acordo principiar um namoro. O coração suspirava por uma aventura romântica. Já o cérebro propôs, em sua racionalidade, um acordo pré-namoro. O coração retrucou de imediato, disse que o amor é livre e totalmente independente de leis. Entretanto, o cérebro, com seus argumentos coerentes e persuasivos, impôs sua vontade. Contrataram então um advogado para redigir o contrato e eis suas cláusulas:
1.      O cérebro responsabilizar-se-á pelas questões racionais do relacionamento, a exemplo de aplicações financeiras, consertos em geral e toda sorte de questões lógicas. O coração, em virtude de seu romantismo, responsabilizar-se-á pelas questões emocionais, como carinhos de toda espécie, reconciliações e questões que exijam um alto poder de amabilidade e compreensão.
2.      É terminantemente proibido a qualquer um dos dois abdicar de suas funções para tentar agir como o outro.
3.      Caso algum dos dois venha a infringir a cláusula de número dois deste contrato, o mesmo será automaticamente cancelado e o relacionamento rompido.
         De posse deste acordo registrado em cartório, o namoro foi iniciado. O coração ficou temeroso, pois não sabia se conseguiria abster-se de querer ajudar, principalmente com conselhos. O cérebro, entretanto, estava confiante, pois tinha certeza que conseguiria se manter racional na relação e jamais se derreteria.
         Nunca mais os dois deram notícias, mas creio que ainda estejam juntos. Caso contrário, o cérebro já teria procurado um advogado para fazer um acordo pós-namoro.