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sábado, 26 de março de 2011

Pensamentos Desembestados


         Se quero me apaixonar? É, acho que quero. Não tenho certeza. Você quer? Mas dessa vez o tiro tem que ser certeiro. Concorda? Lógico! Chega de me arriscar sozinha. É, meu bem, coloque seu pezinho na lama primeiro. Só depois eu colocarei o meu. Estou sendo egoísta? Talvez. Ah, não fique com essa cara. Você não é nenhum santo. Certamente faria o mesmo se tivesse quebrado a cara tantas vezes quanto eu.
         Desta vez quero fazer o que todas as mulheres fazem (ou pelo menos deveriam fazer): investigar o candidato. [Suspiro] Não levo o menor jeito pra isso. Você já sabia? É, quem não sabe? Até as pedras sabem! E meu coração tem alma de maratonista. Mas desta vez vou prendê-lo no pé da mesa pra que não se apresse. Contudo, esta mesa é tão fraquinha. Acha que ela vai resistir ao impulso de um coração desenfreado? Também acho que não, mas podemos rezar.
         A grande questão (o Everest de minha vida) é que sonho com o príncipe (des)encantado. Sonho todos os dias, horas, minutos e segundos, e isso vai me consumindo de maneira tal que a realidade medíocre parece ser insuficiente pra mim. Pra você também? E o que fazemos a respeito? Duas pessoas que não tem sorte no amor podem dar certo juntas? Só se fosse efeito da magia de alguma fada madrinha. E se eu assumisse o papel de bruxinha e fizesse uma poção definitiva e sem antídoto? Você se arriscaria a tomar? Não me olhe assim. Eu também estou com medo.
         Sabe... Não, claro que não sabe. Meu medo maior é que dê certo. Nunca deu. Se der agora, o que eu vou fazer? Não sei conviver com a felicidade. Ela é tão... feliz. É estranho.
         E nesta louca corrida desembestada eu sigo com estes pensamentos frenéticos e assoladores, nada mais nada menos que esperando as respostas do tempo.