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sábado, 15 de fevereiro de 2014

(In)tento

As palavras, natimortas, são laçadas à boca deste que se diz poeta.
Se é poeta, decerto perdeu o tato com as palavras; não consegue colori-las mais.
Chamem o Manoel de Barros para encantar sua alma desconexa!

Uma alma infante que restitua a magia da criação.
Uma mãozinha leve e serelepe, sem fracassos no bolso.
Uma nova encantada e potentíssima imaginação.

Ser novamente criança; ser poeta-menino e lambuzar-se com os versos.
Brincar de esconde-esconde com as palavras e encontrar aquela perfeita.
Ver fantasia no real e transformar rio em cobra, nuvem em ovelha.
Escrever com a confiança de quem escreve a história mais fantástica do mundo.

Ter nos olhos um encanto constante e desnudo.
Se Manoel de Barros viesse, diria para fazer uma transfusão urgente de encanto.
“Se quer mesmo ser poeta – diria ele –, veste-se de menino e vai para a vida passear”.

Vai! Que faz ainda aí parado?

terça-feira, 22 de março de 2011

Cegos e Surdos


         Digo a mim mesma diariamente para abrir a porta apenas para coisas positivas, para aceitar apenas aquilo que me faz bem. Mas quem disse que eu escuto? Meus ouvidos, cérebro e coração são teimosos, cegos e surdos. Amores sinceros e correspondidos? Só nos meus sonhos literários.
         Parece até sina de poeta romancista: sofrer por amor. Por que sempre queremos aqueles que mais maltratam nosso coração? Por que sempre procuro por isso? Se souber, por favor, me ligue, mande um e-mail, uma carta, um sinal de fumaça, qualquer coisa.
         No fundo, no mais profundo de minhas entranhas, quero um amor que esteja disposto a crescer comigo. Quero novas paixões, certas loucuras, mas tenho medo de mudar demais em virtude delas.
         Abri mão de alguns amores por causa de falatórios alheios, confesso. Minhas razões queriam, mas foram as de outrem que fizeram minha cabeça e decidiram meu destino. E eu fui fraca e covarde por não lutar pelo que eu queria. Mesmo que isso me fizesse sofrer, pelo menos eu teria vivido plenamente.
         Amar, se jogar, se entregar! Eu preciso ter coragem para isso. De modo algum posso cometer o mesmo erro do passado.
         Deseje-me sorte.