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terça-feira, 19 de abril de 2011

Bocas Secas


Duas bocas conversavam despreocupadamente quando uma perguntou:
- Como eu sei se quem tá me beijando é homem ou mulher?
- Ah, isso é muito fácil! A mulher beija com carinho, massageando seus lábios.
- E o homem?
- Ah, o homem beija com mais vigor, como se quisesse te devorar!
- Minha nossa! E qual o melhor?
- Isso vai do gosto de cada boca.
- E você prefere qual?
- Ah, minha filha, eu prefiro TODOS! O que importa é que eu seja beijada!
- É, na seca que a gente tá, qualquer um serve!
- Pera lá! Com você pode até ser, mas comigo não! Comigo tem que beijar bem!
- Senão você faz o quê?
- Devolvo o beijo.
- Ah, tá!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Rebanho de Palavras

       A felicidade mandou-me um e-mail desesperado no qual dizia precisar falar comigo urgentemente. Fiquei preocupada, logicamente. O que ela poderia ter de tão importante para me dizer? Bem, marcamos um encontro casual numa pracinha bastante agradável e arejada e sentamo-nos num banquinho à sombra de um pé de jambo.
       - Eu preciso lhe dizer algo muito importante! - soltou, afoita. Seu semblante demonstrava nitidamente que estava contendo um rebanho de palavras num minúsculo curral.
         Temendo o estouro da boiada, eu disse:
       - Só um minuto. Deixe-me primeiro pôr colírio nos olhos, abrir meu entendimento... Pronto! Pode falar. Sou toda ouvidos!


sábado, 8 de janeiro de 2011

Capitão Nascimento Já Foi Magali

É, pra quem não sabe, eu já me enveredei pelo lado do humor. Este texto é de 2008, mas é bem legal. Espero que gostem. Beijos!



Capitão Nascimento Já Foi Magali

Capitão Nascimento está comandando a tropa de elite em uma missão muito arriscada na favela da roçinha quando seu celular toca. Ele esbraveja contra o celular e continua escondido. Alguém da tropa pede para ele atender o celular antes que os bandidos o ouçam e os encontrem. Então o Capitão Nascimento pega o celular no bolso.
- Alô? Fala logo que eu tô ocupado.
- Oi, meu amor. Sou eu, Alex. Lembra de mim?
- Amor?! Eu sou espada!
- Magali, meu amor, você esqueceu de mim?
- Que Magali! Eu sou o Capitão Nascimento!
- Não acredito que você me esqueceu em três anos.
- Alex, né? Eu nem te conheço, Alex! – Capitão Nascimento desliga na cara de Alex.
Ao chegar em casa, Capitão Nascimento abre a porta de seu armário e lá no fundo pega uma caixa. Observa as roupas, os sapatos e a peruca castanha encaracolada. Lembra-se dos amigos daquela época.
- Edu, Fred, Beto, Alex, tenho saudade de vocês. – Uma lágrima escorre. Barulho de botas se aproximando o fazem conter o choro. Ele esconde novamente a caixa no armário.
- Capitão – um soldado entra no quarto.
- O que foi, soldado?
- Tem um cara lá embaixo dizendo que quer falar com o senhor de qualquer jeito.
- Quem é?
- Ele disse que se chama Alex.
- Alex?
- Isso, senhor. Posso deixar entrar?
- Deixe.
- Ok, senhor. – O soldado se retira.
- Recordar é viver – sussurra Capitão Nascimento. Novamente ele tira a caixa do armário. Arruma-se de Magali e espera sentado na cama de pernas cruzadas.
A porta se abre. Alex entra no quarto, afoito.
- Magali, meu amor!
- Alex – ela vira o rosto delicadamente.
- Que saudade, Magali!
- Eu também, Alex.
No dia seguinte, Capitão Nascimento abaixa-se para pegar o jornal na porta e eis que na primeira página:
A Magali do Programa Sexo Frágil
É o Capitão Nascimento
- Quem foi o filho da mãe? PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR! – Ele sacode o jornal.
Capitão Nascimento liga para a Tropa de Elite dizendo que está muito doente e não poderá ir trabalhar.
Deita-se na cama com uma bolsa de água na cabeça e um termômetro na boca, todo enrolado.
Alguns soldados vão visitá-lo.
- Capitão, o que o senhor tem?
- Deve ser virose.
- Será que não é dengue?
- Pode ser. Aquelas ruas da roçinha tem tanto buraco.
Um dos soldados encontra o jornal no criado-mudo e pede pra ver o caderno de esportes.
- Não! – exclama Capitão Nascimento.
- Por que? É rapidinho.
Capitão Nascimento começa a suar frio.
- Capitão, o senhor tá mal. Tá até suando.
- Deve ser a febre – ele disfarça.
O soldado se choca ao ver a manchete da primeira página.
- Capitão, por que não nos disse?
- Dizer o quê, soldado?
- Que o senhor era a Magali daquele programa Sexo Frágil.
- Não gosto de falar da minha vida particular.
- Ai, Magali!!! – diz outro soldado.
Capitão Nascimento fica irado com a gracinha e esbraveja:
- PEDE PRA SAIR, SOLDADO! PEDE PRA SAIR!
- Vou sair, capitão.
- E você, o que tá olhando?
Os dois soldados saem na carreira.
Capitão Nascimento pega o celular. Procura Wagner Moura na agenda e liga para ele.
- Você viu o jornal de hoje?
- Não. O que tem?
- Eu sou a manchete da primeira página!
- Que bom, Capitão Nascimento.
- Bom? Estão dizendo que eu era a Magali do Sexo Frágil! Onde vai ficar a minha reputação de capitão da polícia militar?! E a culpa é sua!!! Por que você foi interpretar a Magali?
- Eu adorava fazer a Magali.
- Pior que eu também. – Capitão Nascimento chora.